quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Explicação dos diapositivos 1/ 2



O texto dramático destina-se a ser representado.
No texto dramático temos como objectivo um ou vários acontecimentos reais ou ficticias,
situadas no tempo e no espaço.





No texto dramático Felizmente há Luar é uma apresentação de uma accção historica, que se desenvolve no séc. XIX.

Os Espectadores, também chamado o público, são as testemunhas. São os espectadores que interpretam, reflectem e julgam a Sociedade do Presente

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Explicação dos diapositivos 14/15

Diapositivo número 14:

Na interacção das personagens no Acto II Matilde temos seus oponentes que rejeitam o seu pedido para libertar Gomes Freire de Andrade, são eles:


- Beresford;

- Principal Sousa;

- Miguel Forjaz.

Como Matilde tem os seus oponentes, também tem os coadjuvantes que tentam ajudá-la:

- Frei Diogo;

- Sousa Falcão.

Gomes Freire de Andrade é o objecto da interacção das personagens, ou seja, é o centro das atenções. O julgamento e condenação do mesmo é a sua morte por enforcamento numa noite de luar.

Miguel Forjaz quer demonstrar e advertir a morte de Gomes Freire de Andrade como um exemplo para todos os que se queiram impor a Miguel Forjaz, no entanto, Matilde acredita que a morte do seu marido não é em vão e além da tristeza irá trazer a esperança e a liberdade.


 
 
Diapositivo número 15:
 
As relações e sentimentos entre as personagens, o povo e amigos de gomes Freire de Andrade sentem amor, admiração, respeito e veneração pela pessoa que ele é e pelos seus feitos no passado, no entanto, Matilde sente o amor e a paixão pelo seu marido, respeito e veneração.


Gomes Freire de Andrade tendo os seus inimigos, Vicente, Corvo e Morais Sarmento sentem ódio apenas por interesses mesquinhos, Beresford, Miguel Forjaz, Principal Sousa também têm ódio por Gomes Freire de Andrade pelos interesses políticos, pela inveja e rancor de não poderem ser como ele.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Analogia entre 2 tempos

1 – Presença de poderes ditatoriais:

Obra (Monarquia absolutista)

Ditatoriais (Estado Novo Fascista)

2 – Evidente falta de Liberdade:

- Expressão

- Reunião

3 – Repressão: forte presença da policia politica que controla e vigia.

4 – Associação intima dos poderes civil, religiosos e militares:

D. Miguel – Civil – Salazar

Principal Sousa – Religioso – Cerejeira

Beresford – militar – Exercito

5 – Aposta na ignorância do povo para assim mais facilmente o dominar e manipular.

6 – Justiça Vendida ao poder, que dele se serve a seu belo prazer (Justiça manipulada).

Andrade Corvo / Morais Sarmento / Vicente => Pide

7 – Luta pela Liberdade / Expectativa comum na chegada da Liberdade. Essa esperança na liberdade corporizada em 2 generais:

Gomes Freire de Andrade e Humberto Delgado, ambos imbuídos de ideias libertárias com as quais travaram conhecimento no estrangeiro.

Gomes Freire de Andrade – Implatação do sistema de cortes

Humberto delgado – Democracia Representativa/parlamentar

Personagens

Gomes Freire de Andrade assume a centralidade da obra, apesar de nunca surgir em cena.

GFA é o símbolo da defesa da Liberdade



Opressão(Absolutismo) Liberdade (Liberalismo)

Nobreza/Burguesia D.Miguel Sousa Falcao/ Matilde

Clero Principal Sousa Frei Diogo

Povo Vicente Manuel e Rita

Forças Militares Beresford

Policias

Andrade Corvo/Morais Sarmento Gomes Freire

Antigo Soldado



D.Miguel Forjaz

D.Miguel forjaz tem consciencia de ser impopular e mediocre, considera que por ser nobre pertence a um classe superior. Sente-se desiludido por ser “incompreendido e desacreditado”. A sua atitude de sobranceria faz com que despreze quase todos:

- Beresford (mercenário)

- Denunciantes (patriotas)

- Povo de quem escarnece

Apesar de ser primo de Gomes Freire irrita-se com a influência que este tem sobre o povo e odeia-o de tal modo que deseja ver-se dele: “ Em politico quem não é por nós é contra nós”. É ele que com orgulho indica o primo para ser executado. Suborna, faz chantagem, sente-se orgulhoso por poder mandar matar um inimigo, independentemente de ter culpa ou não.

Felizmente Há Luar!

ACTO I


1 – Identifique a personagem que andou na guerra com o general Gomes Freire de Andrade e que muito o admira. 
R.: A personagem que andou na guerra com o general Gomes Freire de Andrade e que muito o admira foi o Antigo Soldado.

2 – Explique se Gomes Freire de Andrade estava do lado do povo ou do poder, na opinião de Vicente.
R.: Na opinião de Vicente Gomes Freire de Andrade estava do lado do poder.

3 – Refira os valores em que Vicente acredita.
R.:  Vicente apenas acredita em duas coisas: no dinheiro e na força.

4 – Qual o sonho/ambição de Vicente?
R.:  O sonho/ambição que Vicente tem é ser chefe de polícia logo ter bastante dinheiro.

5 – Explique os motivos que levaram Vicente a trair o povo, as classes social a que pertence.
R.:  Os motivos que levaram Vicente a trair o povo foram a falta de dinheiro e o estado de pobreza em que ele vive.

6 – Na presença de D. Miguel, como é que Vivente se autocaracteriza?
R.:  Na presença de D. Miguel, Vicente auto caracteriza-se como sendo de confiança, honesto e dedicado a el-rei como poucos fidalgos que há no reino.

7 – Refira a missão de que Vicente é incumbido por D. Miguel.
R.:  A missão de que Vicente é incumbido por D. Miguel é Torna-se conhecido pelo lado do Rato e ver quem entra na casa do primo e trazer todas a manhas uma lista das pessoas com quem o general se dá.

8 – Indique como Beresford caracteriza Andrade Corvo.
R.:  Beresford caracteriza Andrade Corvo com um mau oficial, ignorante e até pedreiro-livre.

9 – Explique o que leva Andrade Corvo e Morais Sarmento a não terem escrúpulos de serem denunciantes.
R.:  O que leva Andrade Corvo e Morais Sarmento a não terem escrúpulos de serem denunciantes é a grande quantia de dinheiro que recebem por ano.

10 – O que é para D. Miguel um patriota.

R.:  Para D. Miguel um patriota acaba sempre por julgar os outros pelo conceito de si próprios têm e quando querem crédito avançam sempre de prova em punho e testemunha ao lado.

11 – Identifique a figura de estilo presente na frase: “Sou duma terra onde o homem vive como um homem…”
R.:  A figura de estilo presente na frase é comparação.

12 – Refira como Beresford se autocaracteriza no diálogo com Principal Sousa.
R.:  Beresford considera-se a ele próprio um ganancioso/interesseiro porque apenas quer que lhe paguem, e bem, pelos seus serviços.

13 – Aponte o que se evidencia no conflito verbal entre Beresford, Principal Sousa e D. Miguel.
R.:  O que se evidencia no conflito verbal é que apenas estão juntos para salvar a sua pele e as suas pensões anuais, além de que não gostarem nada uns dos outros.

14 – Identifique o objectivo da conspiração.
R.:  O objectivo da conspiração é a implantação do sistema de cortes.

15 – Indique quem ordena a prisão em massa dos conjurados.
R.:  Quem ordena a prisão em massa dos conjurados é D. Miguel porque é o único com poder para isso.

16 – Indique como D. Miguel caracteriza Gomes Freire, o chefe da revolta,
R.:  D. Miguel caracteriza Gomes Freire como um homem com qualidades necessárias para falar com o povo, como um homem de acção e popular.

17 – Na opinião de Beresford, quem poderão ser os seus inimigos?
R.:  Na opinião de Beresford o seu inimigo é Gomes Freire de Andrade.

18 – Refira como se manifesta o conservadorismo de D. Miguel.
R.:  D. Miguel tem como objectivo:

- Exterminar a anarquia e o jacobinismo;

- Lutar por uma nobreza que mantenha os seus privilégios;

- Lutar a favor da discriminação social;

- Lutar pela distinção de classes e pela desigualdade social;

Lutar contra a democracia, não admitindo que o povo alguma vez possa eleger os seus chefes.

19 – Identifique a figura de estilo presente na frase: “E as árvores… quem não viu as árvores da minha terra, nunca viu árvores…” Pág. 56
R.:  A figura de estilo é Hipérbole (é o exagero intencional de uma expressão para reforçar um pensamento).

ACTO II

1 – Indique o estado de espírito de Manuel no início do 2º acto.
R.:  O estado espírito de Manuel é triste, sem esperança, revoltado e desanimado.

2 – Refira os dois papeis representados por Manuel no inicio do 2º acto.
R.: Os dois papéis representados por Manuel são de mendigo/pobre e nobre/clero.

3 – Explique a frase: “Para nós, a noite ainda ficou mais escura…” pág 80
R.:  Se a vida já era difícil então perderam totalmente o que restava de esperança com a prisão do general.

4 – Identifique a figura de estilo presente na frase “ Parecia um animal ferido a ganir à beira duma estrada…” pág 82
R.:  A figura de Estilo presente na frase é imagem.

5 – Refira os sentimentos presentes no monólogo de Matilde.
R.:  Os sentimos presentes no monologo de Matilde são revolta, determinação, nostalgia, rancor e desencanto.

6 – Explique o valor expressivo das formas verbais: “ Baterei” / “Clamarei” / “mendigarei” (pag. 86)
R.:  O valor expressivo das formas verbais revela determinação para poder libertar o marido.

7 – Explicite como Matilde se auto caracteriza, em diálogo com Beresford.
R.:  Matilde autocaracteriza-se primeiro como solteira e depois casada: como solteira cresceu e viveu por entre a natureza e em pobreza; e como casada conheceu realmente o mundo real e a felicidade, dedicando-se totalmente ao marido.

8 – Indique a atitude de Beresford quando Matilde lhe solicita a libertação do marido.
R.:  Beresford teve uma atitude arrogante, hipócrita e gozante.

9 –  Refira a atitude dos populares face ao desespero de Matilde.
R.:  Os populares demonstram indiferença, apenas Rita mostra pena sobre Matilde.

10 – Explique a simbologia da moeda que Manuel dá a Matilde.
R.:  A moeda que Manuel dá a Matilde simboliza um gesto de traição do povo para com o general Gomes Freire de Andrade.

11 –Identifique o único amigo e confidente de Matilde e Gomes Freire de Andrade.
R.:  O único e confidente amigo de Matilde e de Gomes Freire de Andrade é António Sousa Falcão.

12 – Explique como Sousa Falcão caracteriza D. Miguel Forjaz e Gomes Freire de Andrade.
R.:  Sousa Falcão caracteriza Gomes Freire de Andrade como franco, aberto, leal e triste e caracteriza D. Miguel Forjaz como frio, desumano e calculista.

13 – Explicite o sentido da frase: “ É inútil bater-lhe à porta.” Pág. 117
R.:  “É inútil bater-lhe á porta” porque jamais soltará o general Gomes Freire de Andrade.

14 – Aponte as razões pelas quais Matilde, mesmo sabendo que D. Miguel Forjaz não atenderá o seu pedido, decide solicitar-lhe a libertação do marido.
R.:  As razões são: desespero e o facto de D. Miguel ser cristão tal como Matilde.

15 – Como justifica o criado junto de Matilde, o facto de D. Manuel não a receber.
R.:  O criado justifica o facto de D. Miguel não receber Matilde através da seguinte expressão “Sua Ex.ª não recebe amantes de traidores e amigos dos inimigos d’el-rei.”

16 – Qual o significado da frase: “Lisboa há-de cheirar toda a noite a carne assada, Excelência, e o cheiro há-de-lhes ficar na memória durante muitos anos…”? pág. 131
R.:  A frase significa que com a enorme fogueira de “presos” que irão fazer, Lisboa inteira ficará com o cheiro a carne assada.

17 – Indique o significado da moeda lançada aos pés do Principal Sousa por Matilde.
R.:  A moeda lançada aos pés do Principal Sousa por Matilde tem como significado/símbolo do desrespeito que os mais poderosos mantinham para com os pobres, afirmando que ele se vendia por pouco dinheiro.

18 – Explique como se auto caracteriza Sousa Falcão por não ter tido a coragem necessária para estar na primeira linha.
R.:  Sousa Falcão não teve coragem porque diz não merecer ser chamado de amigo do General Gomes Freire de Andrade.

19 – Refira o que simboliza o clarão da fogueira.
R.:  O clarão da fogueira significa que os presos já estavam a ser queimados.

20 – Explique o título Felizmente Há Luar!
R.:  “Felizmente ao Luar”, tem como significado: O facto Miguel salientar o efeito dissuasor que aquelas execuções poderão exercer sobre todos os que discutem as ordens dos governadores, pelo que, queriam executar os presos durante a noite ao luar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Análise do Poema "D. Dinis"

1) D. Dinis é caracterizado como poeta e lavrador.

2
2.1) e 2.2)
O ambiente de mistério é criado sobretudo na primeira estrofe: “um silêncio murmuro” que só ao rei é dado ouvir “ o rumor dos pinhais (…) sem se poder ver”, isto é só acessíveis a sonhadores, porque só o futuro os revelará como “ trigo/de império”; na segunda estrofe refere-se, ainda, “a fala dos pinhais ” que é um “marulho obscuro”

3
3.1) A metáfora remete por os pinheiros plantados pelo D. Dinis, que são já virtualmente as naus das descobertas – O futuro adivinhado, o rei aparece assim, como aquele que criou as condições para os descobrimentos.

3.2) Nos versos 6 e 7 o cantar jovem e puro é apresentado como um regato que corre em direcção ao oceano; Também estes versos encerram a ideia de que neste passado se adivinha já o futuro.

4
4.1) Os versos 2, 4, 5, 10 conciliam os dois ciclos da nossa história.

1 Pagina 17

1.1) D. Dinis é aqui apresentado como um digno sucessor do rei cessante D. Afonso. O reino floresceu e progrediu em constituições leis e costumes que eliminavam a terra que já vive em paz.
Na estrofe 97 sabemos que ele foi o primeiro a estabelecer o ensino em Coimbra, por fim na estrofe 98 somos informados que D. Dinis fundou novas vilas construiu fortalezas e renovou todo o reino.

2
2.1) As facetas de D. Dinis postas em relevo nestes versos são as de povoador e fundador da universidade. Já Fernando pessoa evidencia as suas facetas de lavrador e poeta. Enquanto Camões interessou-se particularmente pela visão histórica pessoa interessou-se pela visão mítica, visionária, rei capaz de antever o futuro.

Análise do Poema "D. Sebastião Rei de Portugal"

1. O poema "D. Sebastião" pode dividir-se em duas partes lógicas.


1.1 Delimita-as.

-Cada parte corresponde a uma estrofe.
 
1.2 Sintetiza o conteúdo de cada uma delas.

1ªParte-D.Sebastiao e caracterizado como um louco, porque ele procurava a glória e acabou por perdê-la. Ficou a lenda, mas o “físico” dele não.

2ªParte- O poeta admite e elogia a sua loucura, afirmando que um homem louco é mais que uma “Besta sadia” e que D. Sebastião mesmo morto continua nas mentes e nas esperanças das pessoas.

2. A "loucura" é o traço essencial do auto caracterização que o sujeito poético faz na primeira estrofe.

2.1 Identifica as causas a as consequências da "loucura" referida.

- A causa é o desejo da grandeza, ele é louco em querer avançar, louco em visualizar um grande futuro. A Consequência dessa loucura é a morte do próprio rei.

2.2 Explica o sentido dos versos 4 e 5.

- Nos versos 4 e 5 faz se a distinção entre o ser histórico (“Ser que houve”) e o ser mítico (“O que há”); se aquele ficou em Alcácer kibibir onde encontrou a destruição física, “O ser que há” Sobreviveu pois é imortal, é uma ideia símbolo - O sonho que comanda a realidade



3. Na segunda estrofe, o sujeito poético lança uma espécie de repto aos destinatários.
3.1 Identifica o referido desafio.

-Ele Desafia os leitores a serem tão loucos como ele, é o apelo á loucura e a valorização do sonho.

 
3.2 Explica, por palavras tuas, a intenção subjacente à interrogação retórica contida nos três últimos versos do poema.

- A interrogação retórica com que o poema termina, faz referência há loucura enquanto energia criativa que pudera reconstruir o império é através do sonho que o homem é capaz de seguir em frente sem temer a morte.


Resumo da estrofe 1 a 16 (canto I de "Os Lusíadas"):
 
Luís de Camões dedica o seu poema ao rei D. Sebastião, a quem louva pelo que representa para a independência de Portugal e para um aumento do mundo cristão. Após os louvores segue se o apelo para que o rei leia os seus versos. D. Sebastião é visto como a esperança da pátria portuguesa na continuação da difusão da fé. Deste modo, pudemos afirmar que Camões tentou fazer um retrato histórico.

 
1.1 Compara os dois retratos de D. Sebastião - aquele que foi feito por Fernando Pessoa e aquele que foi feito por Camões - e explica por que razão podem afirmar que um deles corresponde a um retrato histórico e o outro a um retrato mítico.

- O retrato de F.P corresponde a um retrato mítico enquanto Luís de Camões refere a história de Portugal - Retrato Histórico.





Análise do poema "O dos Castelos" de Fernando Pessoa e a sua intertextualidade com Luís de Camões

1) A Europa aparece personificada neste primeiro poema a Mensagem.


1.1) Procede á sua caracterização, recolhendo os elementos que o poema fornece.

R: A Europa aparece como uma figura feminina”Românticos Cabelos” e “Olhos Gregos”-é nessas respectivamente do norte (Românticos) e de sul (gregos)- deitada sobre os cotovelos, apoiando o rosto que é Portugal na sua mão direita. A Europa olha para o ocidente

1.2) Salienta a importância dos olhos, referindo o valor da repetição do verbo”fitar” e dos adjectivos que caracterizam o “olhar” no verso 10.

R:O (Olhar esfíngico e fatal) da conta da atitude expectante e contemplativa, enigmática e misteriosa, com o velho continente ”Fita…” (O ocidente) que representa a sua vocação histórica, o futuro que a Europa já desvendou do passado e que se apresenta agora como começa de novo tudo.

1.3) Explica por que razão pode afirmar que a posição “dos cotovelos” evoca as raízes culturais da identidade europeia.

R: A posição dos cotovelos estrategicamente colocados em Itália e em Inglaterra reitera a referencia as raízes culturais da identidade europeia.



1.4) Esclarece o uso do verbo”jazer” que caracteriza a postura desta figura feminina - a Europa.

R: Jazer significa estar deitado, mas tão bem estar morto. O uso deste verbo poderá estar relacionado com a necessidade de despertar um continente adormecido. Portugal (Rosto da Europa) poderá despertar o velho continente na procura de um novo império espiritual (5ºImperio).

2) Explica, por palavras tuas, os dois últimos versos do poema.

R: A Europa olha para o ocidente e o ocidente que Portugal (Futuro do Passado) isto é o caminho que levara Portugal a cumprir a sua missão histórica que continua no passado.

O ultimo verso do poema invendecia o papel do sujeito poético preconiza (destinou) Portugal: guiar a Europa.

Canto III (Estrofe 17 a 21) "Os Lusiadas" de Luis de Camões

1.1) Salienta o que há de comum entre o retrato de Portugal feito neste excerto e o do poema “O dos Castelos”.

R: Tal como no poema da mensagem, Portugal é aqui apresentado como”acumulo da cabeça/ de Europa toda”. Mais uma vez é atribuído a Portugal uma importância maior no desenvolvimento da história europeia.

1.2) Prova que neste excerto de Os Lusíadas o olhar para o passado é focalizado na vocação africana de Portugal.

R: Nos versos de 6 a 8 da estrofe 20 faz-se a lusão há expulsão dos mouros do seu próprio território e as campanhas africanas que deram origem á ocupação de vários pontos do norte de África.

1.3) Compara o sentimento de patriotismo presente nos dois textos.

R: Em ambos os textos o sentimento de patriotismo esta presente: no poema de Fernando Pessoa salienta se o nacionalismo profético da referência ao papel que cabe a Portugal na liderança da Europa; Nos versos de Camões o narrador confessa o seu amor há sua pátria, onde deseja morrer depois de ter levado a cabo a sua missão.

Análise do poema "O Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...




1 pagina 26 Nevoeiro Mensagem 3ª parte



1.1)
- “Nem rei nem lei”

-Versos 4 a 6
-Versos 8 e 9

-Verso 12
1.2)
Os recursos estilísticos que acentuam o tom disfórico do poema são a anáfora (versos 7 e 8 e 11 e 12);
A personificação (Verso 4) e a antítese (Verso 3)

1.3)O verso 10º encontra-se entre () uma vez que representa uma expressão de inquietação formulada pelo sujeito poético, espécie de premonição de que algo está para acontecer.


1.4)
“Símbolo do indeterminado, de uma fase da evolução”.O nevoeiro remete simultaneamente para a noite e para a escuridão que é ver “Portugal a entristecer” e para a esperança ligada ao regresso de um novo Dom Sebastião.



2
2.1)
Este verso é uma afirmação triunfal de esperança. “ É a hora!” de assumirmos novamente o sonho, é o apelo á construção de um novo futuro. Se tudo está “morto” é a hora de renascer.

Análise Mar Português

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nãe é pequena.
Quem que passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


1) O Poema que acabaste de ler é constituído por duas estrofes, a primeira marcadamente épica e a segunda de pendor lírico.

1.1) Prova a veracidade da afirmação de 1. sintetizando o conteúdo de cada estrofe.
R: Na 1ª estrofe o sujeito poético, apresenta uma realidade epica, é a sintese da história de um povo e dos sacrifícios que teve de sofrer para conquistar no mar.
Na 2ª estrofe, caracter reflexivo, o sujeito poético faz o balanço desses sacrifícios, concluindo que "valeu a pena" pois o sofrimento conduz à conquista do absoluto.

2) Concentra-te, agora, na 1ª estrofe.
2.1) Identifica as apóstrofes através das quais o sujeito poético se dirige ao destinatário do discurso.

2.2) Justifica o recurso à frase exclamativa na estrofe em análise.
R: As frases exclamativas pretendem realçar o sofrimento causados pela conquista do mar, àqueles que ficam em terra, nomeadaamente mães, noivas, filhos.

2.3) Interpreta o valor expressivo das repetições que aí podes encontrar.
R: A repetição do determinante interrogativo ( Quantas, quantas, quantas), aumenta o dramatismo da invocação da situação narrada.

3) Na 2ª estrofe, o sujeito poético faz uma espécie de balanço.
3.1) Explica, por palavras tuas, o sentido dos dois primeiros versos desta estrofe.
R: Nestes versos o sujeito poético considera que todos os sacrifícios são justificaveis, se o objecto que estiver na sua base for importante\nobre.

3.2) Relê a informação contida na nota 1. e explica o simbolismo do Bojador.
R: O Bojador simboliza o ultrapassar do medo, do desconhecido o 1º grande passo para o conhecimtento.

3.3)Interpreta o sentido dos vocábulos "mar" e "céu" no contexto deste poema.
R: O "mar" é símbolo de sofrimento mas também símbolo do absoluto, já que foi nele que Deus fez "espalhou o céu" e simboliza a realização do sonho e da gloria, que for capaz de conquistar o mar conseguirá chegar ao céu.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Síntese do poema "O Mostrengo"

1-Sintetiza o assunto do poema.
R: A acção deste poema é passada numa viagem de nau, nomeadamente no cabo das tormentas, durante uma noite escura, nessa viagem os tripulantes confrontados por um mostrengo que está no fim do mar e pretende atemorizar os portugueses para que não continuem a sua viagem. O monstro questiona a tripulação de que aqueles eram portugueses e vinham para conquistar os mares, não abdicando da sua missão.
2.1- Justifica o título do poema, referindo o processo de formação de
Palavras que está na origem do poema escolhendo pelo poeta. R: O mostrengo é caracterizado directamente por dois adjectivos “imundo e grosso”; indirectamente pelas suas acções, pois realiza movimentos circulares intimidadores e sitiantes à volta da nau. Sabemos também que vive em cavernas que ninguém conhece.
2.2- A palavra mostrengo é uma palavra composta por sufixação mostro + engo, este sufixo tem um valor pejorativo. Mostrengo significa
3- Concentra-te, agora, nas atitudes do “ homem do leme”.
3.1- Demonstra que as suas reacções ao discurso do “mostrengo” evoluem
em sentido crescente.
R: Na primeira estrofe “El rei D.Joao II” Na segunda estrofe “El rei D.Joao II” Na terceira estrofe “Linha 22 ate a 27”Às interpolações do mostrengo (primeira e segunda estrofe) o homem do leme começa por responder assustado, intimidado pelo o tom aterrador das palavras do mostrengo e pelo ambiente que o circunda, apenas com uma frase que invoca a autoridade do rei. Porém na terceira vez consciencializando-se de que não é apenas ele “Homem do leme” que ali está, assume-se como símbolo do povo e responde, em seis versos, com convicção e força.
4- Prova que ambas as figuras – o mostrengo e o homem do leme são
simbólicas.
R: O mostrengo simboliza os medos dos navegadores que enfrentam o desconhecido. O “Homem do leme” é a figura do herói mítico, símbolo de um povo e que, portanto, passa de herói individual a colectivo, com uma missão a cumprir.
5- Analisa o poema nas perspectivas morfo-sintáctico e semântica.
R: O número 3 é o número da perfeição da unidade divina; a totalidade a que nada mais pode ser adicionado
6.1- Identifica as três tipos de frase presentes no poema e explica o recurso
A cada um deles.
R:” Meus tectos negros do fim do mundo?”
“El-Rei D. João Segundo!”
“ O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;” Neste poema as frases declarativas estão ao serviço da narração e em parte do discurso do “homem do leme “. As frases interrogativas estão presentes no discurso do mostrengo e a frase exclamativa constam do discurso do “homem do leme”.
6.2- Indica dois recursos estilísticos e salienta o respectivo valor expressivo. R: Existem neste poema várias anáforas que pretendem reforçar o que é dito.O hipérbato do verso 26 reforça o sentido simbólico do “Homem do leme”.
6.3- Justifica o predomínio dos verbos neste poema e comente o recurso aos
Tempos em que se encontram.
7-Salienta as características que fazem deste poema um dos mais Marcadamente épicos da Mensagem.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

V Império



Os quatro primeiros impérios eram, segundo Vieira, pela ordem: os Assírios, os Persas, os Gregos e os Romanos. O quinto seria o Império Português.
Nas escrituras Hebraicas (Antigo Testamento), na Bíblia, Padre António Vieira veio a basear este mito num trecho bíblico, que conta a história do rei Nabucodonosor e do seu sonho, com uma estátua que possuía cinco tipos de materiais.
A utopia do Quinto Império permeia a obra de Fernando Pessoa também, no livro Mensagem.
No caso de Fernando Pessoa os quatro primeiros impérios diferem dos do Padre António Vieira, sendo o primeiro o Império Grego, o segundo o Império Romano, o terceiro o Cristianismo e o quarto a Europa.
O Quinto Império foi uma forma de legitimar o movimento autonomista português, que conseguira o fim da União Ibérica.

Mito do Sebastianismo


Assim como Camões também Fernando Pessoa defende a ideia do sebastianismo (Quinto Império). Logo podemos fazer uma análise comparativa entre “Os Lusíadas” e a “Mensagem”.
Ao ler-se as duas obras nota-se uma igualdade em certos pontos, Luís de Camões fala sobre os actos heróicos dos portugueses durante a época dos descobrimentos e também sobre a espera que D. Sebastião consiga levar este império.
Fernando Pessoa fala também sobre a época dos descobrimentos, época em que Portugal brilhava no mundo, em que tinha um grande império, e também fala de D. Sebastião, mas não como Camões, Fernando Pessoa fala dele de uma forma abstracta, fala dele para representar melhor a esperança que tem em Portugal, que este volte a ser o império que já foi um dia e que chega a ser o tão esperado Quinto Império.
A quem diga que Luís de Camões é o pai da Língua Portuguesa e que Fernando Pessoa é o continuador desse caminho. Que Fernando Pessoa seguiu a obra que Camões começou, continuou o seu “legado” só que de uma forma diferente de ver as coisas.

Simbologias associadas

Brasão – simboliza a nobreza imutável do passado;
Mar – simboliza a vida e a morte; o nascimento, a transformação e o renascimento;
Campos – símbolo do paraíso ao qual os justos acedem depois da morte; espaço de vida e acção:
Castelo – dada a sua habitual localização num lugar mais elevado, simboliza a segurança, a protecção e a transcendência;
Quinas – os cincos escudos das armas de Portugal reenviam para as cinco chagas de Cristo, adquirindo uma dimensão espiritual;
Coroa – símbolo de perfeição e de poder: promessa de imortalidade;
Timbre – insígnia que coroa o brasão, indicadora da nobreza de quem o usa, remete para a sagração do herói numa missão transcendente;
Grifo – ave fabulosa com a força e a sabedoria, o poder terrestre e celeste;
Padrão – monumento de pedra que os navegadores portugueses erguiam nas terras que iam descobrindo; simboliza o domínio e a propagação da civilização cristã sobre as mesmas;
Monstrengo – simboliza o desconhecido, os medos, os perigos e os obstáculos que os navegadores tiveram de enfrentar e vencer;
Nau – simboliza a força e a segurança numa travessia difícil; bem como o incitamento à viagem e a uma vida espiritual; prende-se, também, com a aquisição de conhecimentos;
Ilha – símbolo do desejo de felicidade terrestre ou eterna; do além maravilhoso; da sabedoria e da paz;
Noite – simboliza a morte; remete para um tempo de gestação que desabrochará como manifestação de vida;
Manhã – símbolo de pureza; de vida para paradisíaca, de confiança em si, nos outros, na existência;
Nevoeiro – simboliza a indeterminação, indefinição; o prelúdio da aparição.

Estrutura da Mensagem

A Mensagem é uma obra composta por 3 partes, Brasão, Mar Português e Encoberto, cada uma destas partes subdivididas em noutras: Brasão – 5 partes; Mar Português – 1 parte com 12 poemas e o Encoberto – 3 partes.
Na primeira parte, o Brasão: o princípio da nacionalidade em que fundadores e antepassados criaram a pátria.
Na segunda parte, o Mar Português a realização através do mar em que heróis com uma grande missão de descobrir foram construtores do grande destino da Nação.
Na terceira parte, O Encoberto, a morte ou fim das energias latentes é o novo ciclo que se anuncia que trará a regeneração e instaurará um novo tempo.

1.ª Parte
– Brasão –

I – Os campos
1. O dos Castelos
2. O das Quinas
II – Os Castelos
1. Ulisses
2. Viriato
3. O Conde D. Henrique
4. D. Tareja
5. D. Afonso Henriques
6. D. Dinis
7(I). D. João o Primeiro
7(II). D. Filipa de Lencastre
III – Quinas
1. D. Duarte, Rei de Portugal
2. D. Fernando, Inf. de Portugal
3. D. Pedro, Reg. de Portugal
4. D. João, Infante de Portugal
5. D. Sebastião, Rei de Portugal
IV – A Coroa
Nuno Álvares Pereira
V – O Timbre
A Cabeça do grifo: O Infante D. Henrique
Uma Asa do Grifo: D. João o Segundo
A Outra Asa do Grifo: Afonso de Albuquerque


2.ª parte
– Mar Português –

I – O Infante
II – Horizonte
III – Padrão
IV – O Mostrengo
V – Epitafio de Bartolomeu Dias
VI – Os Colombos
VII – Ocidente
VIII – Fernão de Magalhães
IX – Ascensão de Vasco da Gama
X – Mar Português
XI - A Ultima Nau
XII: Prece


3.ª Parte
– O Encoberto –

I – Os Símbolos
1. D. Sebastião
2. O Quinto Império
3. O Desejado
4. As Ilhas Afortunadas
5. O Encoberto
II – Os Avisos
1. O Bandarra
2. António Vieira
3. 'Screvo meu livro à beira-mágoa.
III – Os Tempos
1. Noite
2. Tormenta
3. Calma
4. Antemanhã
5. Nevoeiro

1.ª Parte
•Origem da nossa nacionalidade, destacando-se figuras míticas (“Ulisses” ) e históricas (“ D. Dinis” , “D. Sebastião, Rei de Portugal”, o sonhador, o lutador)

2.ª parte

•Apogeu dos Portugueses conseguido pelas descobertas:
– “ O Infante ”
– “ O Mostrengo ”
– “ Mar Português ”

3.ª Parte

•Fim das energias, simbolizado pelo nevoeiro que envolve Portugal.
•Vinca-se o mito sebastianista com a figura do Encoberto.
•Esperança e impaciência do poeta na vinda do Messias, para a construção do Quinto Império (“Quando é o Rei? Quando é a Hora?” – “Screvo meu libro à beira-mágoa” ).

Ilha dos Amores


Vendo agora a frota em segurança no seu regresso a Portugal, Vénus pede a ajuda do seu filho Cupido para juntar os amores e ferir as nereidas com as flechas do amor. Com as ninfas e Tétis sob esta influência, coloca uma ilha mística na rota dos portugueses, e a ela traz os amantes.

Podem ser Consideradas 3 descrições no episódio da ilha dos Amores

Primeira

O locus amoenus: o cenário onde decorre o encontro amoroso (estrofes 52 a 67 e mais algumas até ao final do canto) é típico do locus amoenus, com os seus chãos maciamente relvados, águas límpidas e cantantes, arvoredos frondosos e até um lago. O poeta fala ainda da simpática fauna que aí se cria e dos frutos que se produzem sem cultivo. É um cenário paradisíaco, idílico, de écloga.

Segunda

A alegoria: com um arrojo inesperado para um maneirista, Camões descreve o encontro dos nautas com as ninfas que os esperavam, industriadas por Vénus. O amor que experimentam é de paixão: imediato, arrebatado e carnal. E fica dado o recado aos que condenam a expressão mais física do amor: «Melhor é experimentá-lo que julgá-lo, Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.»
A recompensa dos portugueses tem um sentido alegórico: «Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas, Tethys e a Ilha angélica pintada, Outra cousa não é que as deleitosas Honras que a vida fazem sublimada» (estrofe 89). A terminar o canto, dirigindo-se ao leitor, reforça a intenção alegórica e incita aos feitos de valor: «Impossibilidades não façais, Que quem quis sempre pôde: e numerados Sereis entre os heróis esclarecidos E nesta Ilha de Vénus recebidos».

Estrofe 83

Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.


Terceira

Leonardo: Camões, o indefectível cantor do amor, não quis, e se calhar não pôde, evitar que isso se reflectisse n'Os Lusíadas. Se os amores mal sucedidos do Adamastor deixam entrever o caso real do poeta, Leonardo (estrofes 75 a 82) aqui representa a consumação do seu sonho. Repare-se que as queixas deste navegante recordam as do poeta na lírica e como é um lamento delicado e belo.
Em um pormenor curioso, houve a intenção de separar e dignificar Vasco da Gama na carnalidade do episódio. É acompanhado por Tétis até a um magnífico palácio de cristal e ouro, enquanto os restantes marinheiros e as suas companheiras ficam nas praias e nos bosques.

Canto V




Vasco da Gama conta agora como foi a viagem da armada, de Lisboa a Melinde. É a narrativa da grande aventura marítima, em que os marinheiros observaram maravilhados ou inquietos a costa de África, o Cruzeiro do Sul nos céus desconhecidos do novo hemisfério, o Fogo de Santelmo e a Tromba Marítima, e enfrentaram perigos e obstáculos enormes como a hostilidade dos nativos, no episódio de Fernão Veloso, a fúria de um monstro, no episódio do Gigante Adamastor a doença e a morte provocadas pelo escorbuto.

O Adamastor



Podem-se considerar três partes no episódio do Adamastor, a primeira é uma teofania (estrofes 37 a 40). Chegados ao Cabo das Tormentas no meio da uma tempestade, os marinheiros avistam o titã, tão terrível que “Arrepiam-se as carnes e o cabelo A mi e a todos só de ouvi-lo e vê-lo”. Aqui está o puro pavor, a ameaça iminente da aniquilação, fisicamente sentida, as carnes engelham-se, os cabelos crispam-se.
O espectáculo é envolvente, grandioso, terrificante. Este semideus maléfico, encarnação dos perigos da arriscada travessia, precede-se de uma nuvem negra, que surge rasante sobre as cabeças dos navegantes. Mas mais surpreendente ainda é a orquestração que o mar faz com este elemento aéreo «Bramindo, o mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo». O lado maravilhoso desta aparição também é acentuado, fazendo contrastar todo o espectáculo de disformidade e gigantismo com o cenário precedente, onde são manifestos os encantos de uma noite dos "mares do Sul", «prosperamente os ventos assoprando».
Então começa a segunda parte do episódio (estrofes 41 a 48), que em termos cronológico - narrativos é uma prolepse. O Adamastor fala e, como um oráculo, vaticina o destino cruel que espera alguns dos navegadores que atravessarão os seus domínios. É uma forma inteligente de o poeta dos meados do século falar de acontecimentos do passado, mas que seriam futuros para o navegador do início do século que faz a narração.
Finalmente surge uma écloga marinha (estrofes 49 a 59), que obedece a um desenvolvimento comum a muitas composições líricas de Camões: o enamoramento (de Adamastor por Tétis, não correspondido), a separação forçada (pela titanomaquia), a traição, o lamento pelo sonho frustrado, do qual o sofredor é constante e eternamente recordado: «Enfim, minha grandíssima estatura, Neste remoto cabo converteram Os Deuses, e por mais dobradas mágoas, Me anda Tétis cercando destas águas».

Passado mais este obstáculo, os navegadores agora enfrentam a doença, particularmente o escorbuto, e um clima a que não estão habituados. Apesar de um acolhimento cordial dos povos da África do Sul, o desânimo também aumenta por não haver quem dê notícias sobre a Índia. Até que, depois de Moçambique e Mombaça, a narrativa termina com a alegria da chegada a Melinde.

O canto encerra com a admiração dos melindanos por toda a epopeia portuguesa, e a censura do poeta pela iliteracia dos seus conterrâneos. Pela boca de Vasco da Gama, que lhe empresta legitimidade, conta como os poderosos do mundo, especialmente gregos e romanos, eram amantes das letras. E lamenta que os seus contemporâneos desprezem a língua, a poesia e o cantar e louvar de heróis e povos.

O Velho do Restelo


O canto termina com a partida da armada. Quando estão a despedir-se das famílias na praia de Belém, os navegadores são surpreendidos pelas palavras de um velho que estava entre a multidão. É o episódio do Velho do Restelo (estrofes 94 a 104).

Este personagem é a representação da contestação da época contra as aventuras dos descobrimentos. Havia quem pensasse que era puro orgulho e simplesmente suicídio tentar estes projectos de navegar para partes longínquas do mundo; uma perda de recursos e homens, que fariam falta na luta contra os inimigos mouros ou para a defesa do reino contra uma eventual invasão castelhana.

O episódio entrou no imaginário português. A expressão passou a significar o conservadorismo, o mau agoiro, a má vontade e a falta de espírito de aventura, frente a projectos originais que exigem alguma ousadia e gastos de recursos.

Inês de Castro


Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade:
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela com tristes o piedosas vozes,
Saídas só da mágoa, e saudade
Do seu Príncipe, e filhos que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava.

Inês de Castro, estrofe 124 do Canto III
O turbilhão de emoções continua com este episódio lírico-trágico (estrofes 118 a 135), talvez o mais reconhecido d'Os Lusíadas. Convém que se não perca de vista a sua integração no poema, via alocução de Vasco da Gama ao rei de Melinde. Costuma-se classificá-lo como lírico, distinguindo-o assim, sobretudo, dos mais comuns episódios bélicos.
D. Inês e D. Pedro são os amantes trágicos por excelência. O seu amor é ilícito, proibido pelos poderes. O poeta que tinha escrito sonetos tão sombrios, de sofrimento amoroso, chama repetidamente este de «puro amor», e censura o rei, de quem tanto elogiara os feitos guerreiros, por esta sombra no seu reinado.
D. Afonso IV pretende casar o filho que, apaixonado por Inês, recusa. A solução é eliminá-la. Trazida à presença do rei, esta implora pela sua vida, só para poder cuidar dos seus filhos. Comove o velho soberano, mas os conselheiros e o povo exigem a morte. E assim a frágil e bela apaixonada é assassinada «só por ter sujeito O coração a quem soube vencê-la» (por amar quem soube conquistar o seu coração).
Uma rápida análise do episódio permite encontrar aí presentes, com maior ou menor clareza, elementos trágicos como o destino, que conduz a acção para o final trágico; a peripécia; até algo próximo do papel do coro (apóstrofes). A nobreza moral e social dos personagens é também salientada, de modo a criar no leitor sentimentos de terror e de piedade perante a desgraça que se abate sobre a protagonista (catástrofe).
Quando Inês teme mais a orfandade dos filhos que a própria perda da vida, quando ela suplica a comutação da pena capital por um exílio na Sibéria (Cítia) ou na Líbia, entre «toda a feridade», só para poder criar os filhos do seu amor, quando é comparada com «a linda moça Policena, consolação extrema da mãe velha», quando o leitor escuta toda a estrofe 134, e mesmo a 135, estão-se a dedilhar os acordes da piedade.
Já os versos iniciais da estrofe 124, a apóstrofe com que termina a 130 (e antes a da segunda metade da 123) e a estrofe 133 estão ao serviço da sugestão do terror trágico.

Concílio dos Deuses


Neste momento, é convocado o Concílio dos deuses (estâncias 20 a 41) para decidir se os portugueses devem ou não conseguir alcançar o seu destino. Júpiter afirma que sim, porque isso lhes está predestinado.
Segue-se um tumulto, com os restantes olímpicos a tomar partido de Baco ou Vénus, até que o poderoso Marte se impõe, assustando Apolo num aparte (estrofe 37). O amante de Vénus, e admirador dos feitos guerreiros dos portugueses, lembra que não só já é merecido que consigam realizar a sua façanha, como Júpiter já tinha decidido conceder esse favor e não deveria voltar atrás na palavra. O rei dos deuses concorda e encerra o concílio.
O discurso com que Júpiter começa a reunião é uma acabada peça de oratória. Abre com o inevitável exórdio(1ª estrofe) em que, depois de uma original saudação, expõe brevemente o tema a desenvolver. Segue-se, ao modo da retórica antiga, a narração (o passado mostra que a intenção dos fados é mesmo a que o orador apresentou). Vem depois a confirmação: com factos do presente corrobora o que já, a seu modo, a narração comprovara (4ª estrofe). E termina com duas estrofes de peroração, onde se apela à benevolência dos deuses para com os filhos de Luso - aliás, a decisão dos fados cumprir-se-á inexoravelmente. Contra o que seria de esperar, Júpiter conclui determinando e não abrindo o debate.

O Héroi de " Os Lusíadas"


A importância que representa a figura de D. Sebastião para Luís de Camões está bem patente na Dedicatória, logo no início de Os Lusíadas. D. Sebastião é o garante da «Lusitana antiga liberdade», baluarte dos bons valores nacionais, monarca poderoso, predestinado por Deus e, acima de tudo, o líder da reconquista das terras que os Mouros haviam roubado.
Ao dedicar a D. Sebastião Os Lusíadas, Luís de Camões está a frisar a importância da figura de D. Sebastião na identificação de Portugal enquanto pátria com uma história gloriosa, mas, por vezes, não muito abonatória. Gloriosa, porque sendo Portugal um País pequeno, foi pioneiro num período fundamental para a Humanidade, como foi o do alvorecer do Renascimento, ajudando a romper com a Idade Média.
Luís Vaz de Camões não esqueceu o lado negativo, a degradação dos costumes, a ganância provocada pelo tesouro colonial e a exploração dos povos colonizados, fenómenos que constituíram parte das causas da concepção de desconcerto do Mundo de Camões.



Como o título indica, o herói desta epopeia é colectivo, os Lusíadas, ou os filhos de Luso, os portugueses. Nas estrofes iniciais do discurso de Júpiter no concílio dos deuses olímpicos, que abre a parte narrativa, surge a orientação laudatória do autor.
O herói da obra, os portugueses. Monumento aos Descobrimentos Portugueses em Belém, Lisboa, Portugal

"Eternos moradores do luzente
Estelífero pólo, e claro assento,
Se do grande valor da forte gente
De Luso não perdeis o pensamento,
Deveis de ter sabido claramente,
Como é dos fados grandes certo intento,
Que por ela se esqueçam os humanos
De Assírios, Persas, Gregos e Romanos.

Início do discurso de Júpiter no concílio dos deuses, Canto I, estrofe 24.
Havia um ambiente de orgulho e ousadia no povo português. Navegadores e capitães eram heróis recentes da pequena nação, homens capazes de extraordinárias façanhas, como o «Castro forte» (o vice-rei D. João de Castro), falecido poucos anos antes de o poeta aportar na Índia.
E principalmente Vasco da Gama, a quem se devia o descobrimento da rota para o oriente numa viagem difícil e com poucas probabilidades de êxito, e que vencera inúmeras batalhas contra reinos muçulmanos em terras hostis aos cristãos. Esta viagem épica foi por isso usada como história central da obra, à volta da qual vão sendo contados episódios da história de Portugal.