terça-feira, 20 de outubro de 2009

As Rosas

As Rosas amo dos jardins de Adônis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.

Síntese Ricardo Reis

Síntese Ricardo Reis

A nível de conteúdo:

-Filosofia epicurista, que defende o prazer do momento, a necessidade do corpo diem;

-A atitude estóica, num esforço lúcido e disciplinado, de não ceder aos impulsos dos instintos e aceitar a relatividade e a fugacidade da vida e do mundo.

-A busca da ataraxia (tranquilidade sem qualquer perturbação);

-A necessidade de nos darmos a ilusão da calma, da felicidade e da liberdade, com a consciência de que são inatingíveis;

-A apatia perante o que perturba e o mistério da vida;

-A crença nos deuses e nas presenças quase divinas que habitam todas as coisas.

Temáticas

-Sujeição do homem a força do destino;

-Fugacidade do tempo;

-Fragilidade da vida;

-Desapego dos bens matérias;

-Epicurismo;

-Carpe diem;

-Incosiência voluntaria;

-Paganismo;

Síntese de Álvaro de campos

Síntese de Alváro de campos
Em Álvaro a sensação e tudo. Numa atitude unanimista, procura unir em si toda a complexidade das sensações. Afasta-se, porem do objectivismo do mestre Alberto Caeiro, ao centrar a percepção das sensações no sujeito e não do objecto. Dai, o caminhar para a experiencia do tédio, da angustia, da desilusão e do absurdo.
Como Sensacionista e futurista cantara a energia e a força da civilização contemporânea e as sensações de sentir tudo de todas as maneiras.
A nível de conteúdo:
-As fases poéticas decadentista, futurista e intimista
-A expansão do tédio, do cansaço e da necessidade de novas sensações;
-A celebração do triumfo da maquina e da civilização moderna;
-A beleza da força e da maquina por oposição á beleza tradicionalmente concebida;
-A sensação como realidade da vida é base de toda a arte;
-O excesso violento de sensações;
-O péssimo e o abatimento face à incapacidade das realizações

Temáticas:
Fase Futurista: Sensacionista, elogio da maquina, ruptura com a lírica convencional.
Fase intimista: angustia, solidão, tristeza, cansaço, tédio, nostalgia da infância perdida.
Fase decadente: inadaptação, caução e tédio;

Síntese de Alváro de campos Em Álvaro a sensação e tudo. Numa atitude unanimista, procura unir em si toda a complexidade das sensações. Afasta-se, por

Síntese de Alváro de campos
Em Álvaro a sensação e tudo. Numa atitude unanimista, procura unir em si toda a complexidade das sensações. Afasta-se, porem do objectivismo do mestre Alberto Caeiro, ao centrar a percepção das sensações no sujeito e não do objecto. Dai, o caminhar para a experiencia do tédio, da angustia, da desilusão e do absurdo.
Como Sensacionista e futurista cantara a energia e a força da civilização contemporânea e as sensações de sentir tudo de todas as maneiras.
A nível de conteúdo:
-As fases poéticas decadentista, futurista e intimista
-A expansão do tédio, do cansaço e da necessidade de novas sensações;
-A celebração do triumfo da maquina e da civilização moderna;
-A beleza da força e da maquina por oposição á beleza tradicionalmente concebida;
-A sensação como realidade da vida é base de toda a arte;
-O excesso violento de sensações;
-O péssimo e o abatimento face à incapacidade das realizações

Temáticas:
Fase Futurista: Sensacionista, elogio da maquina, ruptura com a lírica convencional.
Fase intimista: angustia, solidão, tristeza, cansaço, tédio, nostalgia da infância perdida.
Fase decadente: inadaptação, caução e tédio;

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Heterónimos



Álvaro de Campos

Artigo principal: Álvaro de Campos

TABACARIA

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,

Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,

Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,

Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,

Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,

Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

_____________________________________________________

I am nothing.

I will never be anything.

I cannot wish to be anything.

Bar that, I have in me all the dreams of the world.

Álvaro de Campos: "Tabacaria" (The Tobacco Shop)


Entre todos os heterónimos, Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo da sua obra. Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.

Começa a sua trajectória como um decadentista (influenciado pelo simbolismo), mas logo adere ao futurismo. Após uma série de desilusões com a existência, assume uma veia niilista, expressa naquele que é considerado um dos poemas mais conhecidos e influentes da língua portuguesa, Tabacaria. É revoltado e crítico e faz a apologia da velocidade e da vida moderna, com uma linguagem livre, radical.

Ricardo Reis

Artigo principal: Ricardo Reis

O heterónimo Ricardo Reis é descrito como um médico que se definia como latinista e monárquico. De certa maneira, simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, na harmonia e num certo bucolismo, com elementos epicuristas e estóicos. O fim inexorável de todos os seres vivos é uma constante na sua obra, clássica, depurada e disciplinada. Faz uso da mitologia não-cristã.

Segundo Pessoa, Reis mudou-se para o Brasil em protesto à proclamação da República em Portugal e não se sabe o ano da sua morte.

Em O ano da morte de Ricardo Reis, José Saramago continua, numa perspectiva pessoal, o universo deste heterónimo após a morte de Fernando Pessoa, cujo fantasma estabelece um diálogo com o seu heterónimo, sobrevivente ao criador.

Alberto Caeiro

Artigo principal: Alberto Caeiro

Por sua vez, Caeiro, nascido em Lisboa, teria vivido quase toda a vida como camponês, quase sem estudos formais. Teve apenas a instrução primária, mas é considerado o mestre entre os heterónimos (pelo ortónimo, inclusive). Após a morte do pai e da mãe, permaneceu em casa com uma tia-avó, vivendo de modestos rendimentos. Morreu de tuberculose. Também é conhecido como o poeta-filósofo, mas rejeitava este título e pregava uma "não-filosofia". Acreditava que os seres simplesmente são, e nada mais: irritava-se com a metafísica e qualquer tipo de simbologia para a vida.

Dos principais heterónimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.

Possuía uma linguagem estética directa, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar em nada. A sua obra está agrupada na colecção Poemas Completos de Alberto Caeiro. Álvaro de Campos
Vida: Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890, é engenheiro naval.

Estilo: Tinha um estilo de versos irregulares.


Ricardo Reis
Vida: Nasceu em 1887 no Porto, era médico e viveu muito tempo no Brasil.

Estilo: escrevia poemas de índole pagã mas num estilo de meia regularidade.




Alberto Caeiro
Vida: nasceu em 1889 e morreu em 1915, nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo, não teve profissão nem educação.

Estilo: Alberto Caeiro era instintivo e duo – consciente.




A poesia de Alberto Caeiro procura representar a natureza em si mas de uma forma objectiva, recorrendo a qualquer significado transcendental da realidade.
Caeiro, apologista de simplicidade total e do objectivismo absoluto, recusa doutrina e filosofia, ri-se das misticidades e só lhe interessa aquilo que capta pelas sensações. Pensa vendo e ouvindo, considerando que é importante aprender a não pensar uma vez que o pensamento metafísico deturpa a compreensão.

Conteúdo:
O realismo sendarial, com o sentido das coisas, reduzido há percentagem de com, da forma e existência.


2ª tópico


A importância da visão como a melhor forma de conhecer e compreender o mundo.


3ª tópico


A recusa do pensamento “Pensar é não pensar”



4ª tópico


O amor é natureza, que vê na sua constante renovação, acreditando na eterna realidade das coisas.





Importante:


Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos”, dai o seu desejo de integração e de comunhão com a natureza.

Para Caeiro “Pensar é estar doente dos olhos ”, ver e conhecer e compreender o mundo.

Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos, Caeiro dá especial atenção ao acto de Ver.

Vida e Obra de Fernando Pessoa




Fernando Pessoa, nascido a 13 de Junho de 1888, viveu uma infância e adolescência marcadas por uma sucessão de factos que o viriam a influenciar profundamente, o que transparece, inevitavelmente, nos seus escritos.

Apenas com 6 anos de idade, confronta-se com a morte do pai e um ano depois, com a morte do irmão. Estas mortes significam uma profunda transformação na vida do poeta, nomeadamente no seio da família. Em breve, Fernando Pessoa iria conhecer um novo núcleo familiar e social, decorrente do casamento da mãe, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, com o comandante João Miguel Rosa, entretanto nomeado cônsul interino em Durban, casamento que se realiza por procuração em 1895. Depois do casamento, mãe e filho partem para Durban, África do Sul, onde Fernando Pessoa viverá até à data do seu regresso definitivo a Portugal, no ano de 1905. Rapidamente perde o privilégio da atenção exclusiva da mãe já que passa a ufparti-la com o padrasto e com os sucessivos filhos que nascem deste segundo casamento de D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa. Encontra refúgio no seu isolamento, na sua imaginação e atracção pela ficção (que se manifestara já desde os seus 6 anos, ainda em Lisboa,com a criação do primeiro heterónimo - Chevalier de Pas) que o levam a criar, em 1903, os heterónimos Charles Robert Anon e H.M.F. Lecher, nas suas leituras de Shakespeare, Milton, Byron, Poe, Keats, Shelley, Tennyson, entre outros, e nos seus escritos.

Vive, pois, grande parte da infância e adolescência (cerca de 10 anos), nesse país, onde recebe uma educação inglesa. Os seus primeiros estudos e os seus primeiros textos são feitos em inglês. Fernando Pessoa nunca abandonará a língua inglesa. É através dela que trabalhará, mais tarde, já em Lisboa, como «correspondente comercial». Apesar de vir a adoptar para os seus escritos a língua portuguesa, continuará sempre a escrever em inglês, seja nos seus textos críticos e notas íntimas, seja nos seus trabalhos de tradução de poetas ingleses, seja nos seus textos poéticos (à excepção da Mensagem, os únicos livros que publica são os das colectâneas dos seus poemas ingleses: "Antinous" e "35 Sonnets", e "English Poems" I-II e III entre 1918 e 1921).


Em Durban, percorre, com sucesso, os diversos graus de ensino até se candidatar, em 1903, à Universidade do Cabo. Em 1904 recebe o Prémio Rainha Vitória, concedido ao seu ensaio de inglês, prova de exame de admissão à Universidade do Cabo, realizado no ano anterior. Tendo a possibilidade de ingressar naquela universidade, Fernando Pessoa, como que respondendo a um chamamento da pátria, regressa, no entanto, sozinho, com 17 anos de idade, a Portugal, que nunca esquecera, associando-o sempre quer à imagem do pai quer à lembrança de uma infância feliz. Traz consigo o propósito de se matricular no curso superior de Letras de Lisboa.Vive nesta cidade, uma vida modesta, em casa de familiares e em quartos alugados. Apesar de efectuar a matrícula no curso referido, no ano de 1906, depressa se desilude com o ensino aí ministrado, não tendo sequer concluído o primeiro ano do curso.

Os seus conhecimentos de inglês constituirão fonte de sobrevivência para o poeta. Em 1908 inicia a profissão, no universo do comércio, como «correspondente estrangeiro». Dedica-se de modo profissional, ao longo da sua vida, aos trabalhos de correspondência comercial, sobretudo naquela que foi a sua língua mãe durante a adolescência. Esta actividade, permiti-lhe obter a independência económica suficiente para se dedicar à sua intensa actividade literária e intelectual.

A sua estreia literária realiza-se na revista A Águia, com a publicação de uma série de ensaios acerca da Nova Poesia Portuguesa. A colaboração com esta revista dura, contudo, pouco tempo. Em 1914, o poeta afasta-se da revista, já movido pela experimentação de novas formas literárias.


Na companhia de amigos como Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor, Fernando Pessoa ficará para sempre associado às novas correntes modernistas como o Paùlismo, o Interseccionismo e o Sensacionismo. A sua influência na literatura portuguesa deste século é indissociável da reunião do grupo na criação da revista Orpheu, na qual desenvolvem e expressam, de uma forma que causou escândalo mas também inúmeras adesões, as tendências modernistas literárias. Ao longo da sua vida, desde a revista A Águia, passando pela criação de Orpheu, Fernando Pessoa exerce a sua actividade literária através de inúmeras publicações. Destacamos a colaboração com a revista Portugal Futurista, de Almada Negreiros, em 1917, com a Contemporânea, de José Pacheco, a direcção e fundação da revista Athena em 1924, num género já distante de Orpheu, a colaboração, e desde 1927, com a Presença. De destacar ainda, num outro âmbito, a direcção, em parceria com o cunhado, da Revista de Comércio e Contabilidade, no ano de 1926, onde Fernando Pessoa publica artigos sobre temas sócio-económicos. Mas esta é já uma fase em que Fernando Pessoa passa a desenvolver a sua actividade num plano mais individualista. Os tempos do Orpheu estavam já distantes e o grupo desfeito: Mário de Sá-Carneiro morrera em 1817, no ano seguinte morreriam Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor. Outros membros do Orpheu estavam também afastados: Côrtes-Rodrigues vai para os Açores e António Ferro experimenta novos terrenos literários, dedicando-se ao jornalismo, à cultura e à política. Fernando Pessoa sentirá sempre saudades dos tempos do Orpheu, tal como dos tempos felizes da sua infância, anteriores à partida para a África do Sul.

O isolamento e a solidão do poeta parecem ter marcado a maior parte da sua vida, ao longo da qual, todavia, foi criando, no sentido literal do termo, novos amigos. O primeiro, aos seis anos, a que chamou Chevalier de Pas; os mais conhecidos, entre 1912 e 1914, a que chamou Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos. A heteronímia é uma das facetas mais curiosas deste poeta e, para muitos, o resultado da desmultiplicação de um pensamento e de uma poética complexa e genial.

A produção literária destes três heterónimos foi intensa e acompanhou o poeta até bem próximo da data da sua morte. Para além destes heterónimos, Fernando Pessoa escreveu textos em nome de inúmeros semi-heterónimos e usando ainda diversos pseudónimos. Respondendo, desta forma, à ânsia de pluralismo, comum, aliás, aos artistas modernistas, o poeta encontra, através do desdobramento do seu EU, uma forma de percepcionar e expressar a multiplicidade do universo em diferentes perspectivas cada qual mediante as diferentes individualidades por ele criadas.

Para além da poesia heterónima e ortónima, Fernando Pessoa, nomeadamente entre 1925 e 1934, vai percorendo, com uma entrega significativa, os campos do mistério e do ocultismo, bem como o da sua missão patriótica. Nem um nem outro são, no entanto, novos para o poeta, já que desde cedo experimentara e manifestara um interesse pelas regiões do ocultismo e do esoterismo e sentira que tinha uma missão elevada a desempenhar.

A atracção pelo mistério, encaminha-o para campos ocultistas e iniciáticos, na busca de uma verdade e de um conhecimento espiritual, na busca da compreensão de si próprio e de um universo que transcende em muito o campo do imediatamente visível.

Estes campos são percorridos através da assimilação de princípios e orientações templárias e rosa-crucianas, por exemplo, e manifestam-se em muitos dos seus textos, como em Eros e Psique que se inicia com a epígrafe, chave orientadora da leitura do poema:"... e assim vedes, meu Irmão, que as verdades, que vos foram dadas no Grau de Neófito, e aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade." - do ritual do Grau Mestre do Átrio na Ordem Templária de Portugal, mas também em textos como Passos na Cruz, No túmulo de Christian Rosencreutz e ainda na Mensagem.

Trata-se de textos carregados de profundo simbolismo e mistério, próprios da linguagem iniciática que Fernando Pessoa parece ter experimentado, de imagens cujas chaves de descodificação deveriam passar, segundo o poeta, por uma simpatia em relação a esses símbolos e imagens, pela intuição, inteligência, a compreensão, mas ainda por um relação, pouco definida, com alguém superior ou transcendental que lançará a luz para a completa assimilação dos seus escritos.

Dotado de uma profunda sensibilidade, desde cedo experimenta experiências supra-naturais e procurara nos meandros do ocultismo a outra face do desconhecido. Vários dos seus textos transparecem, com a clareza que o assunto permite, um conhecimento e uma aproximação aos mistérios mais antigos, a uma mitogenia diversa e arcaica, a uma espiritualidade que nem sempre coincide com a religião cristã, aproximando-se claramente do paganismo.

A realidade oculta terá sido para o poeta uma forte presença ao longo de toda a sua vida. As vias do espiritual e do divino foram, simultaneamente, percorridas e acrescentadas à complexidade psíquica e poética de Fernando Pessoa.

O seu empenhamento patriótico esteve sempre manifesto na sua obra e nos seus projectos de intervir, via literatura, sobre a humanidade e sobre Portugal. Este patriotismo, manifestado em termos de Sebastianismo messiânico, e que se faz sentir logo na sua estreia literária através dos artigos da revista A Águia, publicados a partir de 1912, é ele mesmo indissociável do espiritualismo. O poeta via-se a si próprio como um missionário, um mensageiro, um intermediário entre a humanidade e um ser que a ultrapassa e transcende. Em diversos textos o poeta deixa transparecer a sua consciência de uma relação com o divino.

Este sentido patriótico movido pelo sentimento de uma missão culmina, em termos de produção literária, com a publicação, em 1934, da sua obra Mensagem. Aí temos, partindo da epopeia da diáspora de Portugal que deverá ser retomada e concluída, presentes a vontade de regeneração de um país estagnado, a referência a mitologias diversas, e o cruzamento do mito Sebastianista com as lendas arturianas; também aí se revela a espiritualidade do poeta e a sua busca incassável de Deus, ou do Graal, ou de uma qualquer verdade a juntar à sua identidade dispersa e complexa.

A ideia de missão, ao serviço de misteriosos mestres, foi de tal modo marcante em Fernando Pessoa que ela parece ter decidido a sua vida pessoal, nomeadamente a amorosa.

Ophélia Queirós foi por momentos uma fuga ao isolamento de Fernando Pessoa, bem como a revelação de si próprio como um ser capaz de amar. Mas foi sobretudo mais uma revelação da sua complexidade psíquica.

O único namoro conhecido de Fernando Pessoa decorreu em duas fases: a primeira, de 1 de Maio a 29 de Novembro de 1920, a segunda de 11 de Setembro de 1929 a 11 de Janeiro de 1930.

A primeira fase, a das cartas de amor ridículas, como diria Álvaro de Campos, termina com uma carta em que Fernando Pessoa diz a Ophélia que o seu destino pertence a outra lei. O poeta estava já profundamente implicado nos trilhos do ocultismo e dos percursos iniciáticos. Durante esta primeira fase do namoro, as cartas de Fernando Pessoa a Ophélia revelam uma paixão sincera, manifestada por uma linguagem terna, desprovida de intelectualismos. A ideia de casamento parece ter ocorrido a Fernando Pessoa, ideia implícita em algumas das cartas que preenchem os espaços deste namoro em segredo. No entanto, este namoro é desde cedo marcado pela incerteza, descrédito e desconfiança de Fernando Pessoa para com o amor sincero de Ophélia, para com a relação, para consigo mesmo e termina, então, com uma carta datada de Novembro de 1920, e com a revelação da obediência a Mestres e a pertença a uma outra lei.

Nove anos depois, Ophélia e Fernando Pessoa reencontram-se e o namoro recomeça. O reencontro é motivado pela oferta de Pessoa de uma fotografia sua a beber vinho no Abel Ferreira da Fonseca a Carlos Queirós, sobrinho de Ophélia. Esta, ao ver a fotografia, mostra vontade de possuir uma igual e o poeta envia-lha uma com a seguinte dedicatória: Fernando Pessoa em flagrante delitro. Ophélia escreve a agradecer e os encontros e o namoro recomeçam. Esta segunda fase é, todavia, muito diferente da primeira. Também Fernando Pessoa se revela muito diferente. A confusão de sentimentos, a perturbação psíquica manifesta-se com frequência através de cartas que revelam uma linguagem agressiva, um discurso com rasgos de alucinação e de dispersão. Segundo Ophélia, estaa já nem responde às últimas cartas.O contacto entre os dois mantém-se, no entanto, esporádico e cordial, até à morte do poeta. Fernando Pessoa trocou a perspectiva de um amor e de uma família por um outro chamamento, seja ele o da missão a desempenhar e o compromisso com tais mestres mistereriosos, seja o do compromisso com a sua própria identidade e com a humanidade. Abandonado a si mesmo, à sua vida intelectual e mística, ao seu isolamento, que, aliás, marcou toda a sua existência, é sozinho que Fernando Pessoa, já profundamente desgastado pela angústia que o mina, pela constante busca de si próprio, morre no dia 30 de Novembro de 1935, com 47 anos de idade. Uma morte que chega cedo - mais cedo chegara a muitos daqueles com quem conviviera -, mas uma morte para a qual o poeta parece ter caminhado conscientemente e sobre a qual reflectiu em muitos dos seus textos.


A morte chega cedo,

Pois breve é toda vida

O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tinha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E a tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

Fernando Pessoa - Cancioneiro

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Fernando Pessoa entre os Sec XIX Sec XX



Fernando António Nogueira Pessoa
(Lisboa, 13 de Junho de — Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.

É considerado um dos maiores poetas da
Língua Portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, juntamente com Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte da sua juventude na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando e estudando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterónimos.





O Protesto Operário, O Pensamento Social, A Voz do Operário e A Sementeira. Todos eles eram jornais mais opinativo do que noticiosos, estranhamente escritos mais por burgueses ideologizados do que por operários. Todos eles visavam a adesão do operariado às lutas pela melhoria das condições salariais e profissionais e pela protecção social. Numa segunda fase, os jornais operários tentaram levar os operários à militância socialista ou anarquista. Assim, esses jornais estavam, de algum modo, desalinhados com as principais correntes políticas na sociedade portuguesa de então: os republicanos, por um lado; e, por outro lado, os “partidos da situação”, de natureza liberal-conservadora e defensores da Monarquia. Prova disso está na discreta notícia que, já em Outubro de 1910, dava conta, na Voz do Operário, da implantação da República, intitulada apenas “Os Últimos Acontecimentos na Capital”. O título, quase irrelevante, talvez procurasse transmitir que viver em República ou Monarquia era perfeitamente inconsequente para o operariado.

A vida quotidiana do XIX

Na segunda metade do século XIX, regista-se uma nova organização social:

a nobreza perdeu privilégios, passou a pagar impostos, viu diminuídos os rendimentos, mas continuou a possuir muitas terras

o clero também perdeu muitos privilégios; as ordens religiosas foram extintas e as suas terras passaram a pertencer ao governo

a burguesia transformou-se no grupo social mais importante e viu a sua riqueza aumentada devido ao desenvolvimento do comércio e da indústria

o povo passou a ter, na lei, os mesmos direitos e deveres que os outros grupos sociais; na prática, continuou a ser o grupo que vivia com mais dificuldades e que desempenhava as tarefas mais duras e difíceis.

No final do século XIX, a ilustração − principalmente o retrato executado a partir de fotografias − começou a sua lenta invasão dos jornais diários portugueses. A imagem informativa deixava, em Portugal, de confinar-se às revistas ilustradas…

Entre 1908 e 1909, houve um curto período de abrandamento da repressão sobre a imprensa e vários jornalistas presos foram amnistiados e postos em liberdade, mas, em 1909, já sob o governo de Campos Henriques, restabeleceram-se as medidas repressivas, que se mantiveram até à queda da Monarquia, a 5 de Outubro de 1910.

Verdade seja dita que, a partir de 1906/1907, a exemplo do que sucedeu com a deriva nacionalista da imprensa europeia continental e norte-americana, se assistiu a uma radicalização das posições das diferentes tendências ideológicas existentes na sociedade portuguesa, o que teve eco nos jornais. O campo monárquico e conservador ganhou o importante apoio da Igreja Católica, enquanto que pelo campo republicano alinhou a Maçonaria. Segundo Tengarrinha (1989: 239), os jornais republicanos converteram-se, nessa época, em meios autenticamente revolucionários.

Pode, assim, dizer-se que a imprensa portuguesa da fase final da Monarquia ecoava fortemente as tensões sociais de uma época em que se digladiavam os monárquicos, os republicanos, os socialistas, os trabalhistas (alguma imprensa operária) e os anarquistas. Esses campos nem sequer eram monolíticos, apresentando várias tendências que também competiam umas com as outras na arena pública em que se tinha tornado o campo jornalístico.

Modernismo

Chama-se Modernismo (ou Movimento Moderno) ao conjunto de movimentos culturais, escolas e estilos que premearam as artes, a literatura, a música e até o cinema, na primeira metade do século XX.

Com um final de século conturbado em Portugal e na Europa (“Mapa-cor-de-rosa”, Ultimato Inglês, queda da monarquia e implantação da República, 1ª Guerra mundial, instituição da Ditadura Militar, ascensão do Fascismo e do Estado Novo)o Modernismo não exerceu grande influência na sociedade Portuguesa da época.

Esta corrente artística foi introduzida em Portugal a partir da publicação de uma série de artigos em jornais e revistas da época, das quais se destaca a revista “Orpheu”, considerada marco do Modernismo Português. Embora não tendo exercido grande influência na sociedade, estes novos ideais não foram mal recebidos, não foram ignorados nem vítimas de sarcasmo ou indignação por parte da população.

Este movimento não era fácil de caracterizar devido ao aparecimento de múltiplos submovimentos, os chamados – ismos (cubismo, futurismo, Sensacionismo), em simultâneo a esta corrente, no entanto, pode-se dizer que o Modernismo se baseava na ideia de que as formas “tradicionais” das artes, literatura, música e até da organização social e da vida quotidiana se tinham tornado ultrapassadas. Assim, re-examinou-se cada aspecto da vida para substituir o “antiquado” por novas e possivelmente melhores formas, com vista a chegar ao progresso. Caracteriza-se por uma nova visão da vida, que se traduz, na literatura, por uma diferente concepção da linguagem e por uma diferente abordagem dos problemas que a humanidade se vê obrigada a enfrentar, num mundo em crise.