Álvaro de Campos
Artigo principal: Álvaro de Campos
TABACARIA Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. _____________________________________________________ I am nothing. I will never be anything. I cannot wish to be anything. Bar that, I have in me all the dreams of the world. |
Álvaro de Campos: "Tabacaria" (The Tobacco Shop) |
Entre todos os heterónimos, Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo da sua obra. Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.
Começa a sua trajectória como um decadentista (influenciado pelo simbolismo), mas logo adere ao futurismo. Após uma série de desilusões com a existência, assume uma veia niilista, expressa naquele que é considerado um dos poemas mais conhecidos e influentes da língua portuguesa, Tabacaria. É revoltado e crítico e faz a apologia da velocidade e da vida moderna, com uma linguagem livre, radical.
Ricardo Reis
Artigo principal: Ricardo Reis
O heterónimo Ricardo Reis é descrito como um médico que se definia como latinista e monárquico. De certa maneira, simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, na harmonia e num certo bucolismo, com elementos epicuristas e estóicos. O fim inexorável de todos os seres vivos é uma constante na sua obra, clássica, depurada e disciplinada. Faz uso da mitologia não-cristã.
Segundo Pessoa, Reis mudou-se para o Brasil em protesto à proclamação da República em Portugal e não se sabe o ano da sua morte.
Em O ano da morte de Ricardo Reis, José Saramago continua, numa perspectiva pessoal, o universo deste heterónimo após a morte de Fernando Pessoa, cujo fantasma estabelece um diálogo com o seu heterónimo, sobrevivente ao criador.
Alberto Caeiro
Artigo principal: Alberto Caeiro
Por sua vez, Caeiro, nascido em Lisboa, teria vivido quase toda a vida como camponês, quase sem estudos formais. Teve apenas a instrução primária, mas é considerado o mestre entre os heterónimos (pelo ortónimo, inclusive). Após a morte do pai e da mãe, permaneceu em casa com uma tia-avó, vivendo de modestos rendimentos. Morreu de tuberculose. Também é conhecido como o poeta-filósofo, mas rejeitava este título e pregava uma "não-filosofia". Acreditava que os seres simplesmente são, e nada mais: irritava-se com a metafísica e qualquer tipo de simbologia para a vida.
Dos principais heterónimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever
Possuía uma linguagem estética directa, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar
Vida: Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890, é engenheiro naval.
Estilo: Tinha um estilo de versos irregulares.
Ricardo Reis
Vida: Nasceu em 1887 no Porto, era médico e viveu muito tempo no Brasil.
Estilo: escrevia poemas de índole pagã mas num estilo de meia regularidade.
Alberto Caeiro
Vida: nasceu em 1889 e morreu em 1915, nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo, não teve profissão nem educação.
Estilo: Alberto Caeiro era instintivo e duo – consciente.
A poesia de Alberto Caeiro procura representar a natureza em si mas de uma forma objectiva, recorrendo a qualquer significado transcendental da realidade.
Caeiro, apologista de simplicidade total e do objectivismo absoluto, recusa doutrina e filosofia, ri-se das misticidades e só lhe interessa aquilo que capta pelas sensações. Pensa vendo e ouvindo, considerando que é importante aprender a não pensar uma vez que o pensamento metafísico deturpa a compreensão.
Conteúdo:
O realismo sendarial, com o sentido das coisas, reduzido há percentagem de com, da forma e existência.
2ª tópico
A importância da visão como a melhor forma de conhecer e compreender o mundo.
3ª tópico
A recusa do pensamento “Pensar é não pensar”
4ª tópico
O amor é natureza, que vê na sua constante renovação, acreditando na eterna realidade das coisas.
Importante:
Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos”, dai o seu desejo de integração e de comunhão com a natureza.
Para Caeiro “Pensar é estar doente dos olhos ”, ver e conhecer e compreender o mundo.
Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos, Caeiro dá especial atenção ao acto de Ver.
Sem comentários:
Enviar um comentário